Dia do Bancário: 75 anos depois da primeira grande greve, a luta da categoria continua

Nesta sexta-feira (28/8), é comemorado o Dia do Bancário. Mais do que uma data no calendário oficial, o 28 de agosto representa a força da organização e da mobilização da categoria que, há 75 anos, decidiu cruzar os braços para reivindicar melhores salários e condições de trabalho.

De acordo com os registros, a origem da data está em uma das maiores greves da história dos bancários. No mesmo dia, em 1951, trabalhadores de bancos de todo o país iniciaram uma mobilização pelo reajuste salarial de 40%, além de outras reivindicações. A paralisação se estendeu por 69 dias, em meio à pressão dos bancos e à repressão contra os grevistas. Ao final, a categoria conquistou reajuste de cerca de 31%.

Aquele movimento deixou marcas que ultrapassaram a questão salarial. A greve fortaleceu a organização dos bancários e mostrou que a negociação coletiva depende da união e, principalmente, da capacidade de mobilização dos trabalhadores.

A história dos bancários também é marcada por outras grandes mobilizações que transformaram as relações de trabalho no setor. Um dos exemplos mais importantes ocorreu em 1985, quando os empregados da Caixa Econômica Federal protagonizaram uma greve nacional das 24 horas pela jornada de seis horas e pelo direito à sindicalização.

Naquele período, os trabalhadores da Caixa ainda eram chamados de economiários e não tinham os mesmos direitos dos demais integrantes da categoria bancária. A paralisação, realizada em 30 de outubro de 1985, teve adesão praticamente total e abriu caminho para mudanças que se tornariam históricas: o reconhecimento dos empregados da Caixa como bancários, o direito à sindicalização e a conquista da jornada de seis horas.

Essas conquistas ajudam a entender por que o Dia do Bancário não é apenas uma celebração. Graças ao ato corajoso de homens e mulheres em meados do século passado que foi possível consolidar o 28 de agosto como uma data de referência para a categoria. É também um momento para lembrar que direitos considerados hoje parte da rotina profissional foram construídos ao longo de décadas, com participação dos trabalhadores, mobilização sindical e enfrentamento de períodos de forte pressão.

Uma história que continua sendo escrita

O presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (Fenae), Sergio Takemoto, destaca que, 75 anos depois daquela primeira grande greve, a mobilização continua sendo necessária. Para ele, as negociações da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) deste ano mostram que a categoria precisa permanecer organizada para impedir retrocessos e avançar em novas conquistas.

“As negociações do acordo salarial nos mostram que, quando se trata de direitos trabalhistas, a luta precisa ser permanente. Mais de sete décadas depois daquela grande greve de 1951, a mobilização continua sendo fundamental para impedir perdas e avançar nas conquistas”, afirma Takemoto.

O presidente da Fenae ressalta que a unidade da categoria segue sendo um dos principais instrumentos para enfrentar os desafios do presente.

**20 de agosto de 2026 **

Um exemplo recente dessa mobilização foi a paralisação de 24h realizada em 20 de agosto que contou com adesão expressiva dos empregados da Caixa, consolidando a unidade nacional da categoria bancária.

O movimento demonstrou a insatisfação dos bancários e bancárias com as propostas apresentadas pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) nas negociações da Campanha Nacional Unificada 2026 e pela direção da Caixa Econômica Federal, nas rodadas da mesa permanente para as questões específicas.

“Participar de um momento histórico como o que nós realizamos fica marcado nas nossas vidas. E, sem dúvida nenhuma, não vamos esquecer esse 20 de agosto de 2026, assim como não vamos esquecer o dia 30 de outubro de 1985, a histórica greve das 6 horas”, completou Takemoto.

“Assim como aconteceu no século passado, a união e a mobilização da categoria serão essenciais para que os empregados dos bancos públicos e privados saiam vitoriosos nas negociações da Convenção Coletiva de Trabalho deste ano”, reforça.