Setembro Amarelo reforça a importância do cuidado com a saúde mental

Desde 2014, a Associação Brasileira de Psiquiatria – ABP, em parceria com o Conselho Federal de Medicina – CFM, organiza nacionalmente o Setembro Amarelo. O 10 de setembro foi escolhido como o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio.

Neste ano, a pandemia impõe mais um desafio à prevenção. Especialistas concordam que os efeitos da pandemia podem aumentar os fatores comprovados de risco de automutilação. A vulnerabilidade social, medo pela própria vida e pela vida de pessoas queridas, isolamento social, além da instabilidade econômica pode desencadear várias doenças psíquicas.

A ABP também estimou que em 2020 poderá́ ocorrer um incremento de 50% na incidência anual de mortes por suicídio em todo o mundo, sendo que o número já ultrapassa o número de mortes decorrentes de homicídio e guerra combinados. O problema de saúde pública atinge milhões e se mostra cada vez mais necessário falar sobre o assunto o ano inteiro, não somente em setembro.

A campanha da Fenae de conscientização permanente voltada à prevenção do adoecimento mental no trabalho, “Não Sofra Sozinho”, completa um ano esse mês. O estudo que já começou a ser executado vai debater o impacto da reestruturação da Caixa em suas diversas formas para a saúde mental dos trabalhadores bancários da Caixa, discutir estratégias para implantar um serviço de assistência ao bancário em sofrimento e realizar pesquisa qualitativa com os bancários da Caixa. Além disso, desde o começo da pandemia, a Fenae tem realizado diversas lives com especialistas para falar sobre saúde, teletrabalho, depressão e ansiedade.

“A intenção da campanha é despertar a solidariedade entre os colegas de trabalho e fomentar o debate acerca do tema durante o ano inteiro. Acreditamos que, todos temos o dever de amparar alguém que se encontra em sofrimento. Além disso, lutamos para que os bancos, em especial a Caixa, implemente uma política séria de saúde do trabalhador, em especial com relação à saúde mental. Não dá mais para adiar esse debate”, enfatiza a Diretora de Saúde e Previdência da Fenae, Fabiana Matheus.

O trabalhador da Caixa e o adoecimento mental 

A natureza do trabalho do bancário da Caixa historicamente levou a categoria ao adoecimento mental. Como mostra a pesquisa Saúde do Trabalhador da Caixa 2018, transtornos psicológicos e emocionais são os mais comuns entre os empregados do maior banco público do país. Sujeitos a sobrecarga e a um modelo de gestão que estimula o assédio, 33,1% dizem ter sofrido algum problema de saúde decorrente do trabalho nos últimos 12 meses. Entre os que ficaram doentes, 10,6% relatam depressão. Doenças associadas ao estresse e doenças psicológicas representam 60,5% dos casos.

Outro levantamento mais recente mostra como ativos e aposentados da Caixa estão suscetíveis a problemas que comprometem sua saúde mental. A pesquisa Realidade do Trabalhador da Caixa 2019 indica que 74,5% dos aposentados e 32,6% dos empregados ativos utilizam remédio de uso contínuo.

Entre os ativos que utilizam remédio de uso contínuo, 11,1% recorrem a antidepressivos, ansiolíticos e remédios para tratamento de transtornos obsessivo-compulsivos. Entre os aposentados, 6% usam antidepressivos ou ansiolíticos.

Cerca de 49% dos aposentados fazem algum tratamento de saúde. Destes, 13,6% fazem tratamento psiquiátrico, tratamento com psicólogo ou tratamento com neurologista. Entre os ativos, 20,4% fazem algum tratamento de saúde. Destes, 19,6% estão em tratamento psiquiátrico ou com psicólogo.

Em breve, a Fenae realizará nova pesquisa sobre saúde mental dos trabalhadores da Caixa, que pretende avaliar os impactos da pandemia no aumento do sofrimento dos empregados em trabalho presencial e home office.

Se precisar, ligue 188 – CVV

https://www.setembroamarelo.org.br/

A Fenae também criou um e-mail para receber relatos e oferecer suporte psicológico, principalmente nesse momento difícil para todos. Basta enviar a mensagem para naosofrasozinho@fenae.org.br.